terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Quando não há solução... (Parte II)

Bebé vai ser desligado das máquinas que o mantêm vivo
Um bebé gravemente doente, cujos pais tinham posições contrárias perante a justiça britânica sobre se deviam deixá-lo morrer, vai ser desligado do ventilador, depois de o pai ter mudado a sua posição.
A mãe da criança, com um ano, queria acabar com o sofrimento do filho, desligando o ventilador que o mantém artificialmente com vida, enquanto o pai se batia contra esta opção, argumentando que o bebé era capaz de ver, de ouvir, de sentir e de reconhecer os pais.A criança sofre de uma doença congénita irreversível mas está perfeitamente lúcida.

Fonte: Lusa

10 de Novembro de 2009

Quando não há solução... (Parte I)

Pais disputam nos tribunais a continuação da vida do filho
Um bebé, com um ano e sérios problemas congénitos, está no centro de uma batalha judicial que opõe os progenitores. A mãe e os médicos querem desligar o ventilador que lhe permite respirar; o pai levou o caso a tribunal.
O caso está a provocar um aceso debate no Reino Unido e nem os pais da criança se entendem quanto ao que fazer.
Os médicos do hospital onde o bebé de ano se encontra internado alegam que a sua vida é "miserável, triste e penosa". Os pulmões da criança enchem-se de líquido, provocando uma sensação de asfixia, só aliviada pela intervenção dos médicos, que usam um aparelho de sucção para remover os fluídos, operação também dolorosa.
Segundo a imprensa britânica, o argumento convenceu a mãe da necessidade de desligar os aparelhos que sustentam a vida do bebé, mas não o pai, que alega que este brinca e reconhece a família e o mundo à sua volta. O bebé, identificado apenas como RB, sofre de um problema congético raro que o impede de respirar por si. Em comunicado, o hospital explica que a doença genética é progressiva e provoca enfraquecimento muscular e problemas respiratórios e de alimentação. RB já foi desligado do ventilador por três vezes. Na primeira, conseguiu respirar sozinho durante 40 minutos. Na segunda, durante 30 e na última apenas cinco.Um novo médico será agora chamado a avaliar o caso, ponderando a hipótese de submeter o pequeno paciente a uma traqueotomia, ou seja, abrir um buraco na traqueia do bebé para o ajudar a respirar.
Fonte: Revista "Visão"
3 de Novembro de 2009

"Million Dollar Baby"

O filme retrata a luta de Maggie Fitzgerald para conseguir alcançar o seu sonho, tornar-se numa lutadora de boxe reconhecida. Ao longo do filme assistimos à sua evolução fantástica como lutadora, mas mais importante testemunhamos a criação de profundos laços de afecto entre ela e o seu treinador Frankie (que inicialmente nem sequer aceitava treiná-la), tão profundos que quase parecia tratar-se de uma relação entre pai e filha.
Mas é a parte final deste filme que é mais relevante para o nosso projecto, pois no combate decisivo pelo Título Mundial, Maggie é vítima de uma manobra suja, por parte da campeã, e acaba por ficar paralisada do pescoço para baixo. Este golpe do destino faz com que Maggie tenha de ficar para sempre acamada e a respirar com ajuda de um ventilador, ainda que consciente da sua situação. A situação de Maggie deixa Frankie arrasado e inconformado, e ele faz de tudo para que ela melhore, mas todos os médicos lhe dão a mesma resposta: não é possível curá-la.
O estado de Maggie agrava-se quando devido a uma escara, uma das suas pernas tem de ser amputada. É neste momento que Maggie pede a Frankie que a ajude a morrer, pois já lutou pelo seu sonho e sabe que não há nenhuma solução para a sua situação, esta apenas se pode agravar. Frankie diz que não pode fazer isso, e nessa mesma noite, Maggie tenta suicidar-se, mordendo a língua.
A tentativa de suicídio de Maggie leva Frankie a deparar-se com um dilema, ele não quer perder Maggie, mas por outro lado, ao mantê-la viva está a “matá-la”, pois ela não quer continuar a viver naquela situação. Frankie acaba por decidir acabar com o sofrimento de Maggie, desligando-lhe o ventilador e injectando-lhe uma forte dose de adrenalina. Este filme leva-nos a reflectir acerca da posição das pessoas que estão em sofrimento, mas sobretudo mostra-nos e deixa-nos a pensar sobre a posição das pessoas a quem estes doentes pedem ajuda, pois é de facto uma posição difícil, em que temos de escolher: ou mantemos viva e perto de nós uma pessoa de quem gostamos ou cumprimos a sua vontade e acabamos com o seu sofrimento.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Eutanásia Activa vs Eutanásia Passiva

Há duas formas diferentes de A provocar a morte de B:
  • A pode matar B, digamos, administrando-lhe uma injecção letal, estes casos são vulgarmente referidos como eutanásia "activa" ou "positiva".
  • A pode permitir que B morra negando-lhe ou retirando-lhe o tratamento de suporte à vida, casos que são frequentemente referidos como eutanásia "passiva" ou "negativa".

Quaisquer dos três géneros de eutanásia indicados anteriormente ― eutanásia voluntária, não-voluntária e involuntária ― podem ser quer passivos quer activos. Ou seja, a classificação em activos e passivos é independente da classificação em voluntários, não-voluntários e involuntários.

Eutanásia Involuntária

A eutanásia é involuntária quando é realizada numa pessoa que poderia ter consentido ou recusado a sua própria morte, mas não o fez ― seja porque não lhe perguntaram, seja porque lhe perguntaram, mas não deu consentimento, querendo continuar a viver.
Algumas práticas médicas largamente aceites (como as de administrar doses cada vez maiores de medicamentos contra a dor que eventualmente causarão a morte do doente, ou a suspensão não consentida ― para retirar a vida ― do tratamento) equivalem a eutanásia involuntária.

Eutanásia Não-Voluntária

A eutanásia é não-voluntária quando a pessoa a quem se retira a vida não pode escolher entre a vida e a morte para si, porque, por exemplo, a doença ou um acidente tornaram incapaz uma pessoa anteriormente capaz, sem que essa pessoa tenha previamente indicado se sob certas circunstâncias quereria ou não praticar a eutanásia.

Eutanásia Voluntária

Se o doente, enquanto ainda capaz, tiver expresso o desejo reflectido de morrer quando numa situação de doença incurável, então a pessoa que, nas circunstâncias apropriadas, tira a vida de outra actua com base no seu pedido e realiza um acto de eutanásia voluntária.